A forma como o panorama do audiovisual português se alinha tem o seu quê de interessante.

Verifica-se uma trilogia de sectores que definem uma linha condutora e acaba no traulitar dos consumidores.

Essa trilogia divide-se entre o mundo da arte musical, passando pela produção generica audiovisual que em Portugal se resume a telenovelas, acabando na playlist das rádios.

E se as rádios nacionais, em conluio com as editoras, deram cartas outrora formatando o percurso de bons ou maus músicos e musicas, hoje são as telenovelas que marcam o passo.

Vide o caso da música aqui hoje. Ela é de 2009, integra a banda sonora da telenovela sensação do momento e  que surgiu no final deste verão, e acabou na berra das playlist de rádios portuguesas ao ponto de integrar a da conservadora Antena 1 - Emissora Nacional Portuguesa.

Às radios mais atentas, se quiserem, basta anteciparem-se. A excessão de temas criados para os genéricos das produtoras, para a seleção de musicas novas com dois dedos de testa se percebe que o segredo reside no apostar em músicas com ritmos que peguem ao ouvido de estaca.

Esta musica já tocava numa rádio local há mais de dois anos, e o critério de escolha foi esse, associado ao imaginário de quem a escolheu, das duas gajas que se beijam no final do vídeo invertendo toda uma letra, que a Antena 1 nem sonha...

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 Aqui vão umas dicas terapeuticas caseiras tipo "mezinhas d'avó" que a gente tanto gosta na aldeia, porque:

1. Se chegas-te a Lisboa tens de ter noção de que 'aqui é Portugal e o resto é paisagem'.

2. Provinciano: nunca esqueças as tuas origens pois nas mesmas descobrirás segredos terapêuticos que nem a tua gaja sabia que tinhas dentro dessa braguilha. 

3. Se ouves buzinar no transito -sim esse ruído mesmo que te tira do sério a cada 3 minutos- manda-os para um sítio qualquer. Provinciano que se preze nem tem papas na língua, nem se exprime com eufumismos (i.e. adjetivo masculino plural; 'rodriguinhos' em lx)  pois que essas são daquelas palavras de sete e quinhentos.

4. A partir da terceira buzinadela que ouvires, e que mesmo não tendo certeza, assumes como tendo sido para ti, já podes manda-los pr'ó caralho, mas com estilo: acrescenta "morcão" se és do Porto, "vacão" se és de Leiria, ou outro qualquer'ão da tua provincia, que é tão rica nestas terapias.

5. Buzinas, buzinas, e mais buzinas.... sejam 4 da tarde ou 4 da manhã. Os alfacinhas são - tirando os do Belenenses assim mais armados ao pingarelho porque vivem ao lado do Palácio de São Bento - conas todos os dias. Comodistas por natureza. Assim da-lhes portanto o desconto terapêutico de quem tem um QI abaixo dos 69. É que nunca leram as leis de trânsito sobre  a obrigação de substituir as buzinas por sinais de luzes apenas que anoiteça, ou as civis da República Portuguesa no que estabelece sobre horário limite de ruído público. 

6. Em Lisboa conduz sempre de vidro aberto. Faça chuva ou faça sol. És da província, canudo! E vais precisar dele. Para fumar aquele cigarro terapêutico que te restabelece os índices de raciocínio, confiança e calma santa, tantas vezes necessárias para pores a mão de fora e lançares aquele pirete a que só os provincianos se dão ao trabalho. Aquele torcer de dedos bem desenhado. Porque a arte de um pirete aprende-se na provincia. É de coragem e feito com os colhões no sítio, tipo: os  dedos indicador e anelar simetricamente enrolados paralelamente ao "pai de todos" bem centrado e esticado. 

7. quando regressares à província, esquece lá essa moda urbana de que as rotundas são o prolongamento por natureza das várias vias que se lhe confluem, blá,blá... ide más é ler o que do uso da buzina a lei diz. Portanto, deixa-te de merdas e de entrar nas rotundas da aldeia depois, sempre a acelerar. Mesmo sem sinais de stop, as rotundas na província tem um código de conduta próprio para se respeitar.

8. Os piretes são uma arte, já disse. Não os esbanjes. Tinhas nada que ensaiar assim à sucapa - umas linhas aqui acima, que eu bem ví - se és ou não artista de enrolar os dedos simétricamente. Guarda esses ensaios para quando no trânsito, e a ver vamos se com estas terapias não te comportas lindamente no meio do barulho.

 

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música: Satisfaction - Rolling Stones

 

Sobre o assunto existem estudos científicos originados pelo pai da psicanálise Sigmund Freud. É evidente que uma criança educada por dois homens ou duas mulheres enquanto pais, alterará o seu percurso humano. Chama-lhe a medicina de 'O Complexo de Édipo', e podes ler sobre ele aqui .

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 Édipo, segundo a mitologia grega, mata o pai por desejar sexualmente para ele a mãe

 

A co-adoção por casais do mesmo sexo foi a primeira lei aprovada pelo novo governo de estrema esquerda ainda antes mesmo de ser assumida a sua posse. 

Aprovada que está, e lamentavél que quem foi, ou é contra a lei, nunca tenha argumentos válidos que defendam a sua ideia para além dos seus próprios autos de fé e valores cristãos, de resto, atitude em nada distinta da argumentação utilizada pela esquerda parlamentar na defesa da imposição de seus fanáticos dogmas politicos. Exagerado será não ver que estamos perante a imposição de uma anarquia muito para além daquilo que são valores individuais, pois que interfere com a saúde clínica de um ser em crescimento em Portugal, logo, com o futuro da sua sociedade.

É a lei de Murphy (se pode correr mal, vái correr mal). Quando se teme que o caldinho de governo que temos na Assembleia da República se possa preparar para transformar o velho pais de brandos costumes no, de todos, brevemente o mais liberal da Europa e, porque não, do mundo. O que não sendo uma ideia propriamente desagradável, também não sei se agrada de todo.

Vamos-nos deitar a advinhar? Então vá lá, advinha-se portanto o que o próximo decreto da esquerdalha - [i.e.] esquerda + canalha - garotos na gíria popular (os do BE), e de quem os come ao pequeno almoço (PCP) estará a preparar como uma das grandes revoluções e prioridades do país: a despenalização das drogas leves? In extremis, direito dos pais ao infantícídio, como na América?

Eles andaram foi a estagiar e fazer Erasmus demais no país das papoilas holandesas.Só pode.

Mas alguém os avisou que aquilo não era para fumar?

 O Complexo de Édipo musicado pelos Xutos e Pontapés

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Paulo Jerónimo

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música: Mãe - Xutos e Pontapés
 

Exmo. Sr. Presidente de Mesa Assembleia Geral da Cincup - Cooperativa de informação e cultura de Porto de Mós

Diz-me a responsabilidade do cargo que v. exa. me confiou e o respeito pelos portomosenses que devo tornar esta missiva pública posteriormente ao envio prévio que aqui lhe faço.

Serve a presente para lhe dar nota de que toda a Direção da Cincup, C.R.L. em uníssono, eleita em 15 de janeiro de 2014 se demite de suas funções, sendo que um dos elementos, meu vice-presidente, já se havia demitido em abril conforme é do conhecimento, e deve-se esta demissão agora em bloco por não nos serem permitidas, e nos terem sido retiradas por formas várias e repugnantes, as condições de trabalho necessárias, cabendo-me inclusive apontar sem rodeios que tal causa, para tal falta de condições, se deve e resume ao veto, forças e esforços permanentes desenvolvidos em nossa oposição desde o primeiro minuto em que a Assembleia Geral para eleições ocorrida na data supracitada nos deu posse.

Devo com a mesma frontalidade, e a bem de uma, para mim das mais importantes, e porque não dize-lo - poderosa, se o quiséssemos - instituição portomosense - a Cincup C.R.L. - proprietária dos dois órgãos de comunicação social (OCS) do concelho de Porto de Mós, identificar inclusive onde residem essas mesmas forças de bloqueio: num grupo colegial de cooperantes que contam com a cumplicidade de pessoas funcionários dos quadros da instituição.

Com isto chamo a mim toda a responsabilidade pelos meus atos enquanto Presidente de Direção da Cincup, C.R.L. e isto tendo em conta sobretudo o compromisso maior que assumi a 15de janeiro de 2014 com os meus "pares" que são eles e a saber: os demais cidadãos portomosenses que tem por epiteto lusíada o cariz de serem habitantes da Vila Forte.

Do que já conhecia e tive oportunidade de aprofundar nestes cerca de dois anos de presidência de direção, o leme da Cincup vai sendo dirigido, umas vezes diretamente por quem está no comando da Direção, ou outras vezes, remotamente por quem está nos bastidores com uma preocupação sempre presente e premente na ideia de vários: a manutenção, legítima, de postos de trabalho ali existentes. Só depois vem aquela que no meu entender tem de ser a verdadeira preocupação e concentração de energias e forças para aquilo que é o objeto social e a razão de ser da criação e manutenção da CINCUP, C.R.L.

E a primeira preocupação da Cincup, entende esta Direção demissionária como sendo a maior de suas premissas é, que só se justifica a nossa intervenção de diretores, e a mesma foi-nos confiada para garantir que a nossa rádio e jornal cumprem os seus estatutos editoriais, a ética deontológica e jornalística, e que ao mesmo tempo lhe garantimos capacidade de auto sustentação financeira.

Sucede que entendo eu que tais premissas não estão asseguradas de forma satisfatória, nem mínima, para a população, entidades, empresas e instituições do concelho de Porto de Mós, há vários anos. Quisemos trabalhar em prol disso mesmo mas desde logo é a própria instituição Cincup, ao mínimo sinal de ameaça à vícios instalados, que se opõe e se concentra para que "em Abrantes, tudo como antes".

Devo dize-lo que é com a maior consideração por todos os meus órgãos sociais, bem como todos os legítimos cooperantes desta cooperativa, e com especial apreço àqueles cooperantes, ou ainda que não cooperantes, todos os comuns portomosenses, aos quais pertenço, e que aceitaram desde o primeiro minuto este enorme desafio que lhes lancei a 15 de janeiro de 2014, e posteriormente a uma equipa de mais de 30 pessoas que integraram a grelha de programação da nossa Rádio Dom Fuas, e a quem lhes pedi tão somente , o seu máximo - o de entregarmos as nossas melhores forças, capacidades e energias a esta honrosa cooperativa, a Cincup, C.R.L. proprietária do jornal O Portomosense, e da Rádio Dom Fuas, procurando devolver-lhe a alma e carisma que pensamos serem fundamentais para os dois principais e praticamente únicos órgãos de comunicação social (OCS), culturais e noticiosos do concelho - a nossa rádio e jornal. A todos estes que me responderam positivamente e aos que nos têm apoiado pelas mais diversas formas, o meu, nosso, muito obrigado.

Pude com grande apreço verificar, há dois dias atrás, na noite de 25 de setembro última, que a população, comércio e entidades responderam em massa, positiva e alegremente, ao nosso convite de se juntarem a nós e cantarem os parabéns à nossa Rádio Dom Fuas pelo seu 29.º aniversário, naquela que foi, segundo as mensagens recebidas por convivas (inclusive de moradores redundantes ao castelo, outrora incomodados pelo ruído destas atividades festivas) e os quais me alegram pela critica de ter sido uma festa de aniversário e convívio de grande êxito entre todas as gerações de portomosenses, realizada então no Castelo de Porto de Mós. Isto só me reforça a decisão tomada dias antes de que devo devolver à refleção dos cooperantes o estado de coisas da Cincup, forçando eleições.

Considero desde o primeiro minuto em que os conheço que a existência da Rádio Dom Fuas e do Jornal O Portomosense, só se justificam na sua criação ou merecem todo o esforço na sua manutenção, desde que estes mesmos OCS trabalhem sempre focados e em prol da sua população portomosense a quem considero de resto a verdadeira "propriétária dos mesmos" sendo que esta, a população portomosense, tem confiado desde 1989 na então criada Cincup C.R.L. os efeitos de gestão destes dois OCS .

Considero igualmente importante a manutenção do património de nossos OCS numa instituição de cariz público como sendo ideal, mas que deixe de ter o tipo de gestão caseira e obsoleta dos anos 80 que detém na secretaria desde a sua origem e que assuma uma postura empresarial e responsável há imitação da responsabilidade que os seus custos com pessoal, estado e fornecedores exigem: cerca de 12.000,00€ por mês, 144.000,00€ por ano.

A Cincup sempre teve na nossa vigência, e mantém à data, os seus compromissos em dia e honrados com os fornecedores, pessoal e estado.

Alerto que o cash flow de tesouraria da instituição exige um rigor e disciplina muito, muito apertados. Assim tem sido a gestão desde o primeiro dia que entramos, portanto, não pode haver o mínimo descuido.

Três semanas a um mês sem órgãos executivos legítimos prontos a trabalharem liquidarão, em meu entender, a Cincup.

Neste momento informo que a atual Direção suspendeu por motivos vários o cargo de Diretor de Jornal ao funcionário que o detém, sendo que deliberará nos dias imediatos, a este propósito, uma decisão.

Informo ainda que eu próprio Paulo César Jerónimo da Silva me demito das funções de cargo de Diretor de Programação e Informação da Rádio Dom Fuas no imediato, cargos que assumi por proposta e deliberação diretiva a 13 de fevereiro de 2015 ao abrigo do cumprimento da lei de imprensa e comunicação social.

Recomendo os dois funcionários mais afetos aos trabalhos de rádio que são dois animadores de antena com vários anos de experiência e imensas provas dadas , a nossa realizadora de rádio, e o nosso comercial da cooperativa, como peças importantes na boa prossecução do trabalho que tem sido feito nestes quase dois anos de trabalho que permitiu ganhar mais audiência e publicidade direta. Hoje a Rádio Dom Fuas é autossustentável e não depende financeiramente da venda de publicidade angariada pelo jornal O Portomosense, situação esta que se nos afigurava aquando de nossa chegada à Cincup.

Já por outro lado o jornal O Portomosense está a perder capacidade de venda de publicidade de forma preocupante e tal facto tem outra explicação nada relacionada com a típica crise e dificuldades que se acometem "a qualquer um" nestes tempos.

Exmo. Sr. Presidente de Assembleia Geral,

é neste panorama que lhe devolvo então a honrosa responsabilidade que nos confiou por duas vezes durante o nosso mandato de tomarmos os comandos da Cincup, C.R.L. sendo que levaremos a efeito a nossa saída no dia 13 de outubro de 2015.

 

Porto de Mós, 27 de setembro de 2015

O Presidente de Direção

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Pelo sim pelo não, porque já me arrempendi de não o ter feito na altura de se terem averbado no dragão outros 5-0 noutro clássico, ou porque nas redes sociais (culpadas da suspensão de assuntos neste blog) os temas são tão efémeros e voláteis, deposito neste obituário o pensamento de ontem pelo pê de T3LL0. E desafio o Nuno PortoMaravilha a fazer o mesmo.

 

 

T3ll0.jpg

 

É pá, isto não se faz!
Faltam ainda 10 minutos para acabar o jogo mas tenho de solicitar desde já o livro de reclamações aos senhores do Dragão.
Então a malta compra bilhete para assistir àquilo que se espera ser um grande clássico de futebol e apresentam-nos em palco um Bailinho da Madeira?!

Não vale!
Ao menos digam ao Jackson onde estamos, que em portugal tal dança não tem passo doble... ao quaresma que se deixe de invenções porque esta não é uma coreografia cigana, é da terra do amigo Ronaldo portanto não vale trocar o passo ao adversário, não vale... e ao Lopetegui que não estamos no País Basco nem na tropa, pois que o Bruno de Carvalho não é propriamente dirigente da ETA nem era preciso acertar-lhe o passo... é que sinceramente... assim não há condições!

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Paulo Jerónimo

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her é um filme escrito e realizado por Spike Jonze. Um filme em que a ficção pode ser realidade e onde as semelhanças com as nossas vivências não são, totalmente, fortuitas. A película descreve um universo em que os computadores têm consciência de si próprios e de outrem. Um universo em que os computadores inter-reagem com cada um de nós. Assim, Spike Jonza remete para uma era digital que, no fundo, pode estar mais ou menos próxima. 

 

Teodoro vive na cidade de Los Angeles, urbe em que tudo pode ser possível. Teodoro domina perfeitamente bem a escrita. Sabe fabricar as boas frases e encontrar as palavras exactas para descrever os sentimentos e falar de amor.  

Apesar destas qualidades, Teodoro vive só, sofrendo com a solidão. O seu apartamento, o seu lar é demasiado grande e, esse espaço, reenvia-o para o divorcio, para o falhanço do seu único casamento com Catarina. Os jogos vídeos, os vários ornamentos em 3D não compensam as noites solitárias. 

Para combater o vazio e o tédio da sua vivência, Teodoro investe na compra dum programa informatico, uma inteligência artificial concebida para se adaptar à personalidade de cada humano, ou seja, a voz de Samanta. E, assim, a voz feminina suave, intuitiva e divertida de Samanta vai seduzir Teodoro que, pouco a pouco, vai ficar loucamente apaixonado.

Eis o ponto de partida para um idílio insensato e irreal. A magia do relato assenta nos inúmeros detalhes agenciados por Spike Jonze, tal como a proeza dos actores, tornando realista, romântico e poético o que, inicialmente, não o era.

 

 

Ficha Técnica: her, realizado por Spike Jonze, com Joaquin Phoenix, Amy Adams, Rooney Mara, Chris Patt... - voz de Scarlett Johansson / USA 2014, 2h06, cores

 

Nuno

 

 

 

 

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"Viver só em Lisboa, com 11 anos, era muito complicado. A língua é quase diferente. Não é absolutamente nada o mesmo sotaque que na Madeira. Não compreendia nada."

 

Cristiano Ronaldo

So Foot-Junior, mai 2014, p.37 

Nuno

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Dois jornalistas, ou seja, um reporter já de idade e machista e uma jovem feminista, são enviados a Portugal em Abril de 1974. Acompanhados por Bob, um técnico perto da reforma, são encarregados de cobrirem, para a Televisão Suiça, o contributo das doações Helvéticas para o desenvolvimento das escolas no Portugal fascista.

 

Apesar da boa vontade de Pelé, o jovem tradutor Português, nada ocorre como previsto. Os temas pensados estão longe de serem interessantes e, além disso, existe muita tensão entre os dois jornalistas. A pequena comitiva decide, assim, abandonar o seu projeto de reportagem quando, subitamente, surge a Revolução. Um acontecimento que vai ditar e acelerar a democratização da Espanha, Grécia... 

 

Esta mesma equipa vai dar cobertura jornalística a este evento, vivendo momento raros. Les Grandes Ondes (à L'OUEST) é uma comédia histórica onde a poesia e o burlesco coabitam. O realizador Suíço, Lionel Baier, realizou um filme com poucos meios. Contudo, graças a uma alegre e descomplexada mistura de géneros - até uma sequência comédia musical apresenta - o filme ganhou uma dimensão, certamente, inesperada. Sem publicidade, não passando em todas as salas, a realização de Lionel Baier soube seduzir os telespectadores que se fizeram seus embaixadores... Esta ultima razão explica que o filme ja esteja auto-financiado e, igualmente, que tenha sido eleito por entidades culturais e recreativas Franco - Portuguesas como suporte de festejos do 40° aniversario do 25 de Abril de 1974.

 

Ficha técnica: Suiço, Fr, Pt - 2014 - 1h24 - a cores

Realizado por Lionel Baier. Com: Valérie Donzelli, M. Vuillermorz, Patrick Lapp, Francisco Belard, Jean-Stéphane Bron

 

Nuno

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A imprensa Francesa ganhou mais um título neste mês de Abril: So Foot-Junior. O lançamento desta publicação, protagonizado pela prestigiada revista So Foot, foi salientado pelos mídia. É, após So Film e So Film-España, o último capítulo publicado, mas certamente não o derradeiro, duma aventura editorial que começou com quatrocentos euros.

A revista, como o deixa entrever o seu nome, é destinada, sobretudo, a jovens e adolescentes. Contudo, certas "más línguas", dizem que vai ser confiscada pelos pais e adultos. Este primeiro número apresenta um dossier central dedicado a Cristiano Ronaldo que tem, por essa razão, as honras da capa.

 

Outro caderno interessante é aquele que, resumindo a história recente do futebol, aponta várias definições e escolhas do clube ideal. O único clube Português a ser citado é o FC Porto e relativamente aos itens aqui apresentados. 

E quem acredita que o Benfica é o clube com mais sócios no mundo pensa que o Sol anda à volta da Terra.

Fonte: So Foot-junior, mai 2014, pp. 48-49

 

Nuno

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Os temas bíblicos sempre deram panos para mangas... e polémicas qb.

Escritores, poetas, coreógrafos, todos gostam de explora-los. A sétima arte também.
Sobre o primeiro livro do cânone bíblico podem-se ter várias opiniões e dissertar várias conclusões, mas tenho para mim uma que sempre achei desconcertante: é que revela-nos a crueza da Criação à Destruição! Com este filme «Noé» aguarda-se portanto um "Dilúvio"... 

"Será isto o fim de tudo?" - Questiona a Paramount Pictures no seu facebook oficial.

 

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Paulo Jerónimo

 

 

Estreia nos cinemas a 10 de abril

Realizador: Darren Aronofsky

com

Russell Crowe

Jennifer Connelly

Emma Watson

Anthony Hopkins

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O filme SnowPiercer é uma obra prima e um grande filme de antecipação cientifica, já que a acção se passa num futuro próximo, em 2031.

 

O realizador Coreano, Bong Joon-ho, transcende o género fantástico e autoriza um olhar sobre os possíveis futuros da nossa espécie. Como na Banda Desenhada - o filme é uma adaptação da Bd Francesa, Transperceneige, de B. Legrand, J-M Rochette e Jacques Lob - um trem anda sem parar à volta duma Terra completamente gelada e coberta de neve. É o último refúgio para a humanidade. A glaciação do planeta é fruto duma experiência falhada para lutar contra o aquecimento global.

 

O trem que produz água e energia, graças à neve que a locomotiva "engole", é uma espécie de Arca de Noé. Esta jangada sobre carris apresenta também um retrato realista da Humanidade: Nas carruagens da frente vivem os dominantes, aqueles que possuem o conforto e o acesso ao bem estar. Fazendo ecrã ou fronteira com as carruagens dos esfomeados e dos ignorantes, existem as carruagens do exército. E, finalmente, a locomotiva onde vive o criador e condutor do trem. É um chefe de estado e um deus vivo.

 

Após revoltas passadas, Gilliam e Curtis decidem organizar uma nova revolta. A luta pela liberdade e pela dignidade vai passar pela atrevessia das inúmeras carruagens. A conquista de cada carruagem, até à locomotiva, apresenta imensas surpresas.

 

A acção impressionante deste filme parece ser um apelo sem equivoco para recusar a animalidade, a exploração do homem pelo homem, em suma, o intolerável quem diariamente, nos gabam em nome dum longínquo e nebuloso pragmatismo.

O realizador mostra como o pior (e o melhor) da humanidade se reconstituem no "cavalo de ferro".

 

 

Nuno

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A biografia futebolística de Gianni Rivera parece ter sido esquecida e diluída nas "brumas da memória", dando-se maior relevo às declarações filosóficas do Brasileiro Sócrates, às considerações terceiro-mundistas de Maradona, às concepções tácticas de Johan Cruyff, ao "design" de Beckham ou de C. Ronaldo...

Gianni Rivera foi campeão Europeu em 1969 com o Milão AC (4-1 contra o Ajax) e, em 1970, foi, com a selecção Brasileira, uma das "grandezas" da Copa do Mundo, no México. E, isto, por duas razões: Qualificou a Itália para a final (golo aos 111 minutos, contra a RFA) e apenas joga os derradeiros cinco minutos, na final perdida contra o Brasil (4-1).

 

Gianni Rivera é na altura, momento em que o futebol se torna cada vez mais atlético, muito criticado, pela imprensa Italiana, devido à sua constituição física. Chega a ser denominado "bom futebolista para jogos amigáveis" ou "sacristãozinho"...

Na entrevista que deu à revista So Foot n°108 - 2013, pp. 160-163, decorridos 40 anos, Rivera continua igual a si próprio, declarado:

 

"Ser treinador? Não tinha vontade de passar toda a minha vida em fato de treino."

 

E, para concluir, este remate:

 

"O futebol são duas coisas: a visão do jogo e a técnica. Alguns vêem o que é preciso fazer, mas não têm posses para o realizar. Alguns, ainda, sabem fazer tudo com uma bola, salvo o que seria preciso fazer. Eu tinha estas duas qualidades."

 

Fonte:  So Foot n°108 - 2013, pp. 160-163

Nuno

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BD "Le bleu est une couleur chaude", p.79

 

O ideal é sempre poder ver um filme sem saber demasiado a seu respeito.

E o essencial é: Pela primeira vez, na história do cinema, uma adaptação duma Banda Desenhada à tela ganhou um prémio prestigioso, a Palma de Ouro 2013. A critica e os espectadores são unânimes quanto à beleza da fita.

La vie d'Adèle, realizado por Abdellatif Kechiche, não é, contudo, uma adaptação totalmente fiel do livro Le bleu est une couleur chaude, concebido e desenhado por Julie Maroh, na medida em que o relato final é diferente.

 

La vie d'Adèle, embora proibido aos menores de 12 anos, não é um filme pornográfico. É, isso sim, a narração duma aprendizagem iniciática na qual o questionamento da paixão ultrapassa a problemática da orientação sexual. No final, um tema clássico: O amor absoluto e a sua compatibilidade com as exigências culturais e sociais...

 

 

Fontes: Extrato do filme; ilustração - detalhe da Bd, p.79, ed. Glénat 

Nuno

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Traduzida e publicada em 18 línguas, a Banda Desenhada Walkind Dead é um sucesso editorial mundial que parece incomodar. Como qualificar e explicar este êxito que levou esta Bd a ser, igualmente, o esqueleto e a estrutura duma série TV de renome?

 

Contrariamente ao que se poderia pensar, a criação de Robert Kirkman, cenarista norte-americano, conhece uma enorme divulgação na Europa, existindo 15 adaptações diferentes, não se contabilizando, por razões óbvias o Reino Unido. Se países como a França, a Alemanha ou a Espanha acompanham o ritmo de publicação norte americano desde a publicação do tomo:1 (2005), já países como a Hungria ou Portugal só em 2011 e 2010, respectivamente, iniciaram a publicação traduzida do primeiro tomo.

 

Na Ásia, três países publicam e traduzem a série: Coreia do Sul, Japão e Taiwan. A afirmação de Walking Dead num universo dominado pelo grafismo da Bd Manga é uma proeza que deve ser evidenciada. Foi a Coreia do Sul, logo seguida pelo Japão, quem inaugurou a edição da série, havendo já 9 tomos publicados desde 2011.

 

Na América do Sul, o Brasil foi o primeiro a editar, em 2006, a Bd de Robert Kirkman. Ou seja, acompanhando o nascimento da Bd e com 5 anos de avanço em relação à Argentina, Chile, México e Peru. 

 

Nascida nos Usa, contaminando as terras anglófonas, Austrália, Irlanda, Reino Unido... e, em seguida, grande parte do planeta, Walking Dead passou, também, a ser uma Bd adaptada à televisão nos países onde existe, exceptuando na Hungria. 

 

Vários textos que se debruçam sobre a Bd apresentam análises e observações que reenviam para o apocalipse. Penso que Walking Dead é muito mais do que uma mera metáfora do simbolismo mítico do Apocalipse e do Juízo Final. É a tentativa dum questionamento sobre o relacionamento e os comportamentos humanos alienados por um mundo dominado por uma sociedade onde tudo é mercadoria e troca, inclusive o próprio ser humano.

 

O retorno dos mortos à convivência com os vivos constitui a acção central que conduz a intriga. Em Walking Dead, os autores introduzem-nos num mundo diferente. O relato não nos fornece nenhuma indicação lógica e coerente, quanto à explicação dos acontecimentos. O agente de polícia Rick Grimes, após um tiroteio contra bandidos, acorda num mundo povoado, essencialmente, por mortos vivos. Nenhuma informação nos é dada perante esta ambiguidade. A medida que a narração evolui, aceitando-se o pacto de leitura, acabamos por decifrar de maneira racional elementos sobrenaturais.

 

Para tornar aceitável o fio condutor do relato, os autores vão introduzir  progressivamente eventos que focam a condição humana. E, imediatamente, ressalva que, no âmbito dum meio ambiente hóstil, a espécie humana só existe colectivamente. O recurso ao fantástico desentroniza o mito da viabilidade do indivíduo só no mundo. Robinson Crusoé, sobrevivendo isolado na sua ilha longínqua, é um ser muito mais irreal que Rick Grimes e os seus companheiros. E, paralelamente, só uma compreensão recíproca permite ao grupo de Rick sobreviver perante os perigos exteriores. E não é um paradoxo se os perigos mais reais decorrem dos grupos humanos cujos relacionamentos assentam em relações de opressão violenta entre os indivíduos. O exemplo da sociedade dirigida pelo "Governador" é ilustrativo disso. Os mortos vivos, abstraindo-se a dinâmica do número ou da quantidade, acabam por ser inofensivos.

 

Em Walking Dead, uma pintura realista, a da condição humana, alia-se com o fantástico, o regresso dos mortos vivos. A descrição das leis que autorizam a opressão na sociedade já não pode ser feita segundo as normas convencionais. A terceira vinheta do primeiro tomo e, logo, da série é elucidativa. O fugitivo prefere morrer a voltar para a prisão. Todavia, como o questionamento sobre a existência humana não pode prescindir duma abordagem realista da vida, explica-se, assim, essa aliança entre o real e o imaginário. Em simultâneo, o fantástico permite aos autores combater uma censura mais subtil: a do inconsciente. É, sem dúvida, mais fácil evocar tabus e preconceitos num contexto estranho: certos temas ou ideias serão melhor aceites se são assimilados ao fantástico. 

 

A existência dos mortos vivos provoca uma ruptura num sistema social que parecia condenado a se prolongar indefinidamente. Graças ao aparecimento dos mortos vivos, é possível "falar" da vida. O grupo de Rick é uma amostra de civilização humana. Não existe lugar para a fatalidade, certezas ou dogmas que são sinónimo de queda. Tudo é movimento e é nesse movimento que os companheiros de Rick encontram a sua salvação. A construção de mundos diferentes opõe-se ao mundo dos zombis cuja vida se assemelha à de um animal, de um predador, de um parasita que se enrosca e come o que poderia ser um semelhante seu. 

 

Os aspectos ligados ao regresso dos mortos mergulham e perdem-se na cultura popular europeia. Eles desentronizavam o sério e os dogmas que a burguesia, aquando da Renascença, foi elaborando para assinalar o seu poder e a sua ideologia. Talvez o êxito de Walking Dead possa ser explicado, em parte, por essas reminiscências. O tema do regresso dos mortos vivos, tratado debaixo duma forma carnavalesca ou não, é um dado das sociedades medievais europeias que, com as navegações marítimas, chegou às Américas. Note-se, por exemplo, que um dos maiores romances de língua Portuguesa que assenta no regresso de mortos vivos foi escrito por um Gaúcho: Incidente em Antares, Érico Veríssimo.

 

Walking Dead é uma obra que se articula em redor da condição humana. O recurso ao exagero, ao imaginário, ao sobrenatural, ao fantástico desagua na desentronização dos valores sérios ou oficiais da sociedade. A Bd inscreve-se na tradição carnavalesca e popular que nega o dogma, a fatalidade e o imobilismo. 

 

Fontes: Walking Dead - Le Magazine Officiel n°3 / Introdução à literatura fantástica - T. Todorov / L'Oeuvre de F. Rabelais - M. Bakhtine  

Nuno

por PortoMaravilha | link do post

 

 

  

"Quando a esmola é grande o pobre desconfia" e tanta propaganda que se viu no pré-lançamento do filme de Rúben Alves A Gaiola Dourada - um retrato dos portugueses, resultante da epopeia de sua emigração nas últimas décadas - confesso que me levou a sentar na sala com a esperança e espetativa de que ia enganado.

 

Tentando apaziguar a discussão entre meus dois neurónios frontais contra um ocipital, degladiavam-se: "lá tás tu Paulo... vai-se a ver e na volta o filme até que merece mesmo uma Palma de Ouro, à grande e à francesa (link). Espera..."

1.ª Surpresa: a sala começava a mostrar-se demasiadamente bem composta.

Mais de metade dos lugares ocupados, tendo em conta que estamos ao meio da tarde de um dia de semana, no pais que, contam  as estatísticas, tem a mais baixa taxa de cultura cinéfila (ou de leitura, já agora...) bom, isto por si só já é obra.

 

"Vês o efeito da propaganda? Picardava o neurónio ocipital.

 Achas que sim, oh cromo? Vinte e seis dias depois da estreia nacional? Ripostava um dos do lóbulo frontal.  Em parte, talvez... mas no todo, duvido - atiçava o segundo dos frontais, prosseguindo: Ó "neurónio ressabiado", pá. Aqueles anos de neve na infância passada pelos Pirenéus Bascos afetaram-te mesmo do clima, com certeza..." E a Sala continuava enchendo.

 

É relevante e sintomático o percurso cultural dos Portugueses.

Eles aprenderam a ver televisão, antes mesmo de terem tido oportunidade de aprenderem a ler. Sim, literalmente. E esse fenómeno, de certo modo prolongado pelos próximos 30 anos é determinante para o nível e exigência cultural que demonstramos hoje. Com o aparecimento das primeiras emissões da RTP nos anos 50 num pais maioritariamente analfabeto como o era o nosso, o povo entra em transe com emissões de futebol, festivais da canção ou concursos. Entre os prazeres de assistir, ver e ouvir as emoções de "Gabriela" ao vivo, in loco na pequena "caixa mágica" ou deleitar-se na leitura da mesma, escrita pela pena de Jorge Amado, a escolha seria óbvia.

E se hábitos de leitura  nunca pegaram, os da sétima arte então, nunca vingaram.  Os Portugueses continuam a ser os cidadãos da Europa

que menos cinema frequentam, onde mais salas fecham ou as cadeiras livres abundam.

 

Mas cultura? O que é isso da cultura?

Depois de alguns anos de investimento nesse sentido, o atual governo português retrocede dizendo-nos que, por culpa da crise... há que exterminar, precisamente este Ministério, o da Cultura. Foi a primeira das Reformas de Estado a pôr em prática, aquando da remodelação de Ministérios. A população, a que "sabe ler" inclusive nas entrelinhas, retira daqui outras leituras: demonstram-nos o modo como os dirigentes do país, eles próprios uns incultos, encaram o assunto. Numa atitude "comezinha", "portuguesinha", revivem-se memórias antigas: "cultura é no campo, no lavradio. A cultura do ancinho, da enchada, do terreno que germina. Recupere-se a agricultura, a verdadeira cultura." Como em tudo, há que definir prioridades.

 

Alors, e o filme? O filme... bon, c'est ça: "La Cage Dorée" -  A Gaiola Dourada escreve-se, fala-se e protagoniza-se na mais francesa e incontornável de todas as cidades - aquela que, dentre todas as outras, mais portugueses acolheu em todo o mundo: Paris.

Na película estereotipa-se uma família emigrante portuguesa. Mas a estória extravasa o que se possa considerar ou etiquetar como sendo exclusivamente a imagem ou vivências experimentadas pelos nossos emigrantes franceses. Porque as emoções que ali se vivem, assistindo-se à película, universalizam-se. Serão as mesmas e comuns a quaisqueres outras experiências de vidas em qualquer outro país onde quer que exista um portuga estrangeiro

 

Cada um experienciará o filme à sua maneira mas eis uma das cenas que se me mostrou particularmente das mais marcantes:

Maria e Zé (Rita Blanco e Joaquim de Almeida) na arrecadação da casa vão selecionando alguns haveres, presume-se que para levarem de regresso para a terra natal. Como plano de fundo na imagem temos um grande placard de ferramentas, à imagem do personagem, o Zé, um humilde e prestável pedreiro, biscateiro habilidoso, de quem os vizinhos franceses tanto apreciam e recorrem (interesseiramente).

Enquanto Zé enrola o fio de um berbequim, Maria  puxa de um monte de roupas antigas um par de calças que o filho já há muito não veste desdobrando-o e apelando à memória de Zé: "Lembras-te como o Pedro detestava estas calcas?".

Um mero exemplo de uma entre várias cenas que resultará num potencial reboliço às entranhas de qualquer espectador que tenha vivido noutra comunidade ou cultura fora da sua terra natal. À qual lhe baterá um potente flashback rodeado de emoções à flor-da-pele, vestindo ele próprio aquelas mesmas calças e revendo-se no lugar do filho de emigrante, nas discussões matinais sobre a roupa para vestir e dentre as quais, eram por nós (crianças) de imediato descartadas todas aquelas peças de indumentária que evidenciassem a cultura portuguesa (ou imagem de coitadinho) num pais onde se é forasteiro. Basta o que basta, não se esperá-se que fosse o catraio, o primeiro naquele dia a acordar o estigma sofrido em qualquer recreio escolar estrangeiro pelo "típico filho do pedreiro e mulher a dias portugueses" que os nativos daquela terra fazem questão de nos recordar copiosamente, quotidianamente, direta ou indiretamente.

 

E quando um filme nos arranca consecutivas gargalhadas com a mesma facilidade e naturalidade que a seguir nos leva às lágrimas, então arriscaria que não há dúvida: só podemos estar perante um grande filme, digno do mais prestigiado troféu de cinema francês e europeu, mas para o qual é preciso ser-se Português para o entender em toda a sua plenitude.

BravôPalma de Ouro à Gaiola Dourada!

E desengane-se: mais propaganda sim. É disso que precisam, afinal, os filmes portugueses. Para que os pobres de espírito deste pais deixem de encarar ofertas culturais como esmolas.


 

Paulo C. Jerónimo

por MrCosmos | link do post
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