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COSMéTICAS.net

o «ESPAÇO» onde nem tudo o que parece é... música para os ouvidos !?

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o «ESPAÇO» onde nem tudo o que parece é... música para os ouvidos !?

Porque o 3D não funciona e nunca singrará. ........................................ Caso encerrado.

03.07.11 | Paulo Jerónimo

 

 

Após o sucesso de bilheteira que foi Avatar tomei conhecimento do artigo de Walter Murch, descrito como o "designer" e editor de som mais respeitado no cinema moderno.

Walter Murch, vencedor da academia de Oscars, é responsavel pelo desenvolvimento e introdução do sistema de som em canal 5.1 que revolucionaria o cinema elevando-o para um novo patamar a titulo sonoro, e basicamente na sua carta enviada a o 3D nunca singrará. Segundo o texto de Roger Ebert:

 

"Recebi uma carta que encerra, em meu entender, a discussão sobre 3D. Ele não funciona com o nosso cérebro e nunca Singrará.
A noção de que somos convidados a pagar um prêmio para testemunhar uma imagem inferior por inerência de nos confundir o cérebro é ultrajante. O caso está encerrado.
"

 

Na sua carta Murch explica, numa argumentação técnica, as dificuldades e questões que eu proprio me colocava ao assistir ao 3D, sem resposta para elas. É que ao longo dos anos, até hoje, o 3D sempre me gerou o desabafo de: "Isto soa a falso".

Passamos a traduzir a carta de Walter Murch à Roger Ebert, onde as inserções introduzidas em parentesês rectos são de minha responsabilidade, complementando o que entendo ser a interpretação da argumentação original do autor.   


Walter Murch

  "Olá Roger,

 

  Eu li sua opinião sobre o "Green Hornet",

  e embora não tenha visto o filme, concordo

  com  seus comentários sobre 3D.

  A imagem 3D é escura, como menciona,

  e pequena. De alguma forma os óculos

  "reúnem-se com" a imagem - mesmo em uma

  tela Imax enorme -  e ao olhar-se sem óculos,

  a imagem aparece a meia distância.


  Eu editei um filme 3D na década de 1980,

  "Captain Eo", e apercebi-me que o movimento

  horizontal estroboscópico ocorre muito mais

  cedo em 3D do que em 2D. Isto era verdade

na época,e ainda é verdade agora. Tem algo a ver com a quantidade de energia do cérebro dedicada a estudar as bordas das coisas. Quanto mais conscientes estamos das bordas, mais depresa um efeito estrábico [desalinhamento/desfoque] salta à vista.


O maior problema com o 3D, porém, é a "convergência / foco" associada. Um par de outras questões , tal como a escuridão e a "pequenez", são pelo menos teoricamente solucionáveis. Mas o problema mais profundo é que o público deve focar seus olhos no plano da tela - que dizem estar à 80 metros de distância. A distância é constante e nada mais importa.
Mas o que os olhos vêm na tela [a realidade tridimensional que se tenta representar] deveria convergir em talvez 10 metros de distância, de 60 pés [18mt], 120 pés [36mt], e assim por diante, dependendo da ilusão pretendida. Assim, filmes em 3D nos obrigam a concentrar em uma distância [sempre fixa: a distância a que estamos colocados da tela/ecrã]  mas convergem para outra [a distância (profundidade) variável da realidade filmada]. E 600 milhões de anos de evolução nunca apresentaram esse problema antes [ao cérebro]. Todos os seres vivos colocam os olhos sempre, focados e convergentes, no mesmo ponto.



Se olharmos para o saleiro na mesa, perto de nós, vamos concentrar-nos em seis pés [182cm] e os nossos olhos convergem (tilt in) [movimento descendente] em seis pés. Imagine a base de um triângulo entre os olhos e o vértice do triângulo repousa sobre a coisa que está olhando. Mas, então, ao olhar pela janela e concentrar-se em 60 pés os olhos convergem também para 60 pés. O triângulo imaginário que tem agora "abriu" para que suas linhas de visão sejam quase - quase - paralelos uns aos outros.
Podemos fazer isso. Filmes em 3D não funcionariam se não pudéssemos fazê-lo. Mas é como que estar a bater na cabeça e esfregando seu estômago, ao mesmo tempo: difícil. Assim, o "CPU" do nosso cérebro perceptual tem trabalho duro extra, e é por isso que depois de mais ou menos 20 minutos muitas pessoas têm dores de cabeça. Elas estão fazendo algo para o qual em 600.000 mil anos de evolução não foram preparadas. Este é um problema profundo que nenhuma quantidade de ajustes técnicos pode corrigir. Nada vai corrigi-lo de repente na produção "holográfica" real de imagens.

Conseqüentemente, a edição de filmes em 3D não pode ser tão rápida quanto para filmes em 2D, devido a esta mudança de convergência: é preciso um número de milissegundos para o cérebro/olho "pegar" o que o espaço de cada "disparo" [plano/imagem] é, e ajustar.


E, por último, a questão da imersão. Filmes em 3D lembram ao público que eles estão em um relacionamento "perspectiva" certos para a imagem. É quase um truque brechtiano. Se a história do filme tem realmente agarrado uma audiência na ilusão de que eles estão "dentro" da imagem, em uma espécie de sonho no espaço "sem espaço", uma boa história vai dar-lhe mais dimensionalidade do que a assistência consegue realmente enfrentar.

Portanto: escuro, pequeno, estrábico, induzindo dor de cabeça, alienante. E caro. A pergunta é: quanto tempo vai levar as pessoas a perceberem e ficarem fartos?

 

Texto original | este post pode ser lido na continução/contradição de "A Transmissão Simbólica: Folheto N.º 8"


PC Jerónimo da Silva

3 comentários

  • Imagem de perfil

    Paulo Jerónimo

    04.07.11

    Pois, tens de nos apresentar esses questionamentos todos que o intelecto cinefilo cultural francês discerniu em Avatar, :-) porque eu alí não encontro nada mais do que um mau filme, muito mau mesmo, banhado de cliches, mas embrulhado e apresentado em explendor, com muito fogo de artifício (3D).

    Estoira o foguete, fica o fumo, e as canas. ;-)
    A mensagem de Avatar está muito melhor contada em inúmeros outros filmes...
  • Imagem de perfil

    PortoMaravilha

    05.07.11

    É simples !

    Vai ao que se escreveu no cosmeticas, quer quanto aos posts quer quanto aos comentários, no que diz respeito a Avatar?

    Nuno

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