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o «ESPAÇO» onde nem tudo o que parece é... música para os ouvidos !?

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DO XXI AO 31 (ed.1)

18.03.10 | Paulo Jerónimo

 

A EFEMÉRIDE E O MUNDO FEMINIZADO

  
Perguntei-lhe se alguma vez se havia sentido em prejuízo, pelo simples facto de ser rapariga,   ou se achava que, caso fosse rapaz, teria só por isso a vida mais facilitada.
“NÃO! “Respondeu-me ela, categoricamente, do alto de seus poucos 12 anos. 
 
Há para quem,   desde que tem noção da existência da efeméride "Dia Internacional da Mulher", recentemente assinalada,  que veja tal circunstância na realidade actual, como sendo um confrangedor atestado de menoridade, restando apenas saber, passado a quem: se ao género feminino ou ao masculino.
Que mais do que a homenagem,  fica implícita uma certa conotação de fragilidade.  Ou que seja mais um prémio de compensação do que por mérito. Talvez não ande longe deste raciocínio, à sua maneira, o entender das futuras mulheres ocidentais contemporâneas. Pelo que vale também a pena atrever-se a questionar, o que acharão disto, já agora, os rapazes. Eles que, cada vez mais introvertidos, vêem as colegas, regra geral, vingarem e obterem melhores resultados, escolares e não só.  Propagam-se os rabos-de-cavalo.
 
Uma 'neta de Abril' respondeu-me recentemente, pela véspera comemorativa de tal efeméride, categoricamente que "não" (acima citado), como provavelmente pode não ser nenhum disparate, afirmar de que igualmente responderiam - à já mais de 10/15 anos, ou hoje - a generalidade da geração dos 'filhos de Abril', criados e habituados a ambientes multi-sexo.
Compreende-se, não obstante, o forte estigma que representará o espírito deste dia para muitos outros, encarando tal como direitos arduamente conquistados e oferecidos de herança, a quem agora talvez os subestime.
 
Faz sentido, e é justo, assinalar o 8 de Março?
Faz! Responderão muitos. Basta olhar para sul, África, ou para oriente.
Já para estes lados do sol poente, pode (já) não ser tanto uma questão de direitos, ou por o século XXI continuar a ser "masculinizado".
Pelo contrário, em tal efeméride encontra-se um mundo feminizado.
Numa era evoluída, onde os indivíduos até à idade adulta, para além da forte influência e vinco instituído familiarmente pela mãe, serão basicamente educados, instruídos e em tanto influenciados, pela crescente proliferação secular das mulheres, caso flagrante o das professoras, tal deveria ser no mínimo algo de intrigante.

 

É comum entre os jovens homens admitir-se, que foi um professor homem, a pessoa que mais o impressionou / influenciou numa fase crucial da sua vida. No entanto os novos homens do XXI, vêem-se empurrados para este ’trinta e um’ do quotidiano, encontrando-se logo desde tenras raízes em desvantagem.

Até que ponto e noutra escala, tal fenómeno e efeminização ocidental contribui para uma sociedade mais incompreendida, banalmente desautorizada, algo frustrada, com os “pólos” invertidos e curto-circuitados, é um debate que parece começar a despertar, timidamente.
A reflexão na mistura do desempenho dos papeis dos sexos faz cada vez mais e maior sentido. Até porque, os ideais não são intemporais,  correm sempre o risco de serem exagerados, ficarem desactualizados, ou mostrarem-se desproporcionados.

 

 

 

Paulo Jerónimo

Publicado no Jornal 'O Portomosense' de 18/03/2010.

 

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