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Saramago: Espero que não esquecerão que existo ......J' espère que vous n'oublierez pas que j'existe

01.07.10 | PortoMaravilha

 

Comment Dieu va-t-il recevoir Saramago ?

Tout l'univers de Saramago est déjà dans Le Dieu Manchot . La traduction de Geneviève Leibrich est sublime.

Saramago ne nous raconte pas seulement l'histoire du Portugal.  Mêlant fresque historique et fresque amoureux, Saramago nous narre l'histoire du barroque et du classicisme. Autrement dit, l'opposition entre les humbles et les puissants.

 

Citant l'un des personnages de La Caverne : " Je prévois qu'à partir de maintenant je vais disparaître du paysage, j' espère au moins que vous n'oublierez pas que j'existe ".


Ce post peut être mis en liaison avec : Google Sait il traduire F. Pessoa ?

Nuno

 



 

A imprensa Francesa focou em grande destaque nas suas  várias "une" o falecimento de Saramago.

É com a sua obra Memorial de Convento que Saramago alcançou notoriedade. Traduzida em Francês por Geneviève Leibrich em 1987 com o título Le Dieu Manchot, foi um sucesso de livraria e, rapidamente, foi editada em livro de bolso.

 

Memorial de Convento é uma obra prima da literatura mundial que tem como pano de fundo a sociedade Portuguesa do século XVIII e a Inquisição. Mas o texto não diz só respeito à sociedade Portuguesa. É um livro que visita a história da Europa e da humanidade e, sobretudo, a história dos humilhados e dos ofendidos.

 

A tradução do título, Memorial de Convento, é em Francês, O Deus Maneta ( Le Dieu Manchot ).

O génio da tradutora Francesa foi de ter resumido no título da tradução Francesa a síntese da obra. E, deste ponto de vista, talvez se possa entender porque Memorial de Convento é o alicerce de toda a obra de Saramago.

É à direita de Deus que se sentam os seus eleitos. Leiam-se os textos.  Deus é maneta da mão esquerda.

 

Memorial de Convento apresenta uma trindade diferente :

 

1 : Deus é o Padre ( o Pai )  Bartolomeu Lourenço de Gusmão. Desafiando a Inquisição, fará funcionar o primeiro engenho voador da história da humanidade, a Passarola.

2 : O Filho é Baltasar Sete Sóis e que é maneta porque perdeu uma mão na guerra.

3 : O Espírito Santo é Blimunda Sete Luas que pode ver a vontade dos outros.

 

Esta Trindade Profana é subversão e é, também, progresso e inovação. É a memória eterna do confronto entre barroco e classicismo, entre os humildes e os poderosos.

Citando um dos personagens do romance A Caverna : " Prevejo que a partir de agora vou desaparecer da paisagem, espero, ao menos que não esquecerão que existo ."

Haveriam muitos mais aspectos a desenvolver. Mas fica um sumário. E continuo a pensar que Memorial de Convento só pode ser consensual para quem nunca leu a obra.

 

obs : A citação está traduzida do Francês. Não possuo a obra, A Caverna, em Português. Peço desculpa.

Imagens : Capas dos livros citados.

Este post pode ter interligação com : Google sabe traduzir F. Pessoa ?

Nuno

3 comentários

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    Paulo Jerónimo

    04.07.10

    Está questão gramatical também começou por me deixar bastante ceptico relativamente ao escritor Saramago.
    No entanto, no meu caso, e porque o "enredo" do livro em sí falou de imediato, mais alto, depressa me apercebi que o genero de escrita de Saramago pode perfeitamente ser daquelas coisas que primeiro estranha-se, depois entranha-se... Ao fim de 2/3 páginas já não faz confusão nenhuma, pelo contrario: parece-me que apanhando o ritmo, a leitura passa a ser ainda mais escorreita e facilitada.

    E está questão esta-me a fazer lembrar uma outra: a liberdade e forma de expressão do artista.
    Comunicar e passar a mensagem penso que deve ser a prioridade, nem que para com isso se tenha de romper com as regras e agir politicamente incorrecto.

    O Cinema, p. ex. evoluiu, muito, quando um jovem realizador francês, em certa altura rompeu com as "Regras Gramaticais" da montagem/edição dos filmes, que obedeciam a "cliches técnicos" enfadonhos, regras mais ou menos rigidas na forma de apresentar os planos na tela, e no fundo, rompeu com a forma ordenada , metódica, certinha da montagem.

    Vai daí, e de meros anonimos, os montadores/editores de filmes passaram a a ser observado e a ter o devido reconhecimento na indústria de cinema, precisamente por se lhes ter dado a liberdade de aplicarem a escrita cinéfila a seu bel prazer, livre de "regras e gramaticas".

    Pegarei neste tema em altura oportuna.
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    PortoMaravilha

    05.07.10

    Paulo

    Muito bom o que escreveste : Vens lembrar que a escrita antes de tudo é oralidade. E a regra é essa . E que os grandes escritores sempre tentaram essa passagem da escrita à oralidade.

    Um texto é feito para ser lido em voz alta.

    Seria complicado desenvolver esta problemática numa caixa de comentários. Voltarei ( x = censurado . Tanta coisa a amar que me falta tempo )

    Peguem nas primeiras de memorial de convento e comecem a lê-las em voz alta.

    Nuno



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