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A Intimissimi roubou-me 39,65€. Não me enviou a encomenda nem me devolveu o dinheiro.

E ainda fui eu feito parvo gastar mais 16,00€ numa chamada para o departamento de expidição de Milão, que até me garantiu que resolveria o problema, depois da atendedora no departamento de reclamações de Portugal não ter tido vontade (mas sim muita brutidade) em resolve-lo...  Puttana che li ha dati!

 

PS: Não, não, a lingerie não era para mim.

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Pensei em limpar-lhe o pó, e observo com particular atenção a minha mesa de cabeceira. Carago, que é mesmo de um virginiano. Picuinhas, perfeccionista, metódico, resumindo, um complicado. Porque saber gerir isto é complicado. Irrita-nos mesmo quando damos connosco inatamente a alinhar os lápis ou canetas na secretaria, ou a ferramenta na bancada, numa sequência que para o virginiano tem de ter lógica, seja por ordem crescente ou decrescente, por cores das mais frias (azuis) para as mais quentes (violetas) ou outra qualquer. Chega a ser desgastante, e querer simplificar, aprender "A Arte Subtil de Dizer Que Se Foda" - o tema do próximo livro que deve de ir para esse monte, segundo promessa de oferta feita por quem bem me conhece - saber simplificar é uma arte que não dominamos. Portanto, os livros, e a mesa de cabeceira que se resumem a eles, não um, mas vários, porque um bom virginiano gosta então e por natureza de complicar o que é simples. Podem passar dias sem ser abertos, ou noites seguidas agarrado a um, ou ainda num vaivém de insatisfação, indeciso entre os vários. Então vamos aos do momento:

 

Porque Nós - James Le Fanu. Adquirir um livro é um pouco como adotar um animal: não somos nós que os escolhemos a eles, são eles que nos escolhem a nós. Depois de mais uma longa tarde de espera no Hospital de Santo André, onde aguardavamos notícia de ordem de internamento ou alta para a minha sogra que se encontrava em estado avançado e violento de expansão de um linfoma, e o que mais se temia era que o mesmo atingisse o cérebro, o que se veio mais tarde a confirmar e à colocar em estado terminal, peguei no meu sogro e mulher para irmos lanchar ao Shoping, e no meu caso, comprar um livro para ajudar a passar os longos tempos de espera. Saiu-me esse na prateleira, precisamente um sobre dois dos mais importantes estudos científicos dos últimos 20 anos sobre o cérebro humano e que, citando-o "nos explica o porquê do nosso lugar no universo".

 

A Causa das Coisas - Miguel Esteves Cardoso. Este conheci-o pela mão, ou melhor, pela voz, de Ana Narciso, aquando da transmissão do Programa "Três Marias", na Rádio Dom Fuas, um programa que comecei por desafiar a própria a me ajudar a construir, e que se queria com três mulheres à conversa numa abordagem dos temas que quisessem, do ponto de vista feminino. Fez sucesso, o programa, e um dia a Ana apresentou ali aquele livro como sugestão de leitura de férias de verão. Fiquei absorto no tema e em boas gargalhadas que o Miguel nos proporciona neste livro, no seu divertido sarcasmo habitual, como só ele sabe fazer, sendo o exemplar uma compilação das crónicas que o mesmo escrevia num semanário português por volta dos anos 80 sobre o quotidiano saloio portuga.

 

O Primo Basílio - Eça de Queirós. Só porque sim. Porque se cruzou comigo um dia, e pensei que este tinha do ter/ler. Porque se um livro fosse uma canção, então este seria um daqueles que faria parte do cancioneiro português. Mas não está fácil. Depois de ler Os Maias, este agora sabe a tipo comer sardinha, depois de me ter habituado a camarão. Tal e qual o seguinte:

 

Memorial do Convento - José Saramago. Para quem conheceu o Nobel da literatura pelo seu escrito Ensaio Sobre a Cegueira, que é simplesmente fe-no-me-nal, para quem se fartou de rir com Caim, para quem tenta com A Caverna, depois de duas desistências no Memorial, evoluir com apreço na maturidade literária necessária para se ler o escrito mais reconhecido de Saramago , insisto pela terceira vez em por este livro na mesa de cabeceira para o levar até o fim, só porque o amigo Nuno PortoMaravilha diz que é a maior e melhor obra do escritor, e quiçá da literatura portuguesa. Quero formar a minha própria opinião, e assim continuo nele, aos poucos, a insistir.

 

Quem Nunca Morreu de Amor - Eduardo Sá. Foi ela que mo ofereceu, porque sabemos que o nosso amor nunca morreu.

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Se a grandeza de uma cidade se medisse pela sua miséria, então, o Porto seria maior que Lisboa, e Lisboa mais miserável do que o Porto. Certo é que não existem grandes cidades nem capitais sem os seus mendigos, sem seus sem-abrigos ou pedintes. Nem sem os seus loucos que nos abordam no inóspito das esquinas. Aleijados nos passeios, familias completas de refugiados com pai, mãe e filhos. Podemos virar-lhes a cara, encara-los como fraudes ou problemas dos outros. Pedem-te uma moeda, comida, tabaco, o que se queira. No mínimo, merecem um sorriso, um aperto de mão, uma palavra de coragem. Porque o dia de amanhã nunca ninguém o viu , e a vida é uma passagem, para a outra margem.

 

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Ao centro: família de refugiados sírios. Avenue des Champs Elysees, Paris

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Não lhe conheço o nome, não lho perguntei, não quis saber. Estava matando o tempo, escrevendo num caderno, com uma Canon 30D pousada no arrebate ao seu lado.
Senhor, perdoe-me por interromper, posso-lhe perguntar o que significa esta mensagem que está um pouco por todo lado nas paredes? Eu não sei interpretar Euskara [o idioma basco]. Não tem problema nenhum, precisava mesmo de uma pausa, e com todo o gosto te explicarei. Então, trata-se de uma mensagem revindicativa da comunidade basca dirigida a Madrid, exigindo que os presos por crimes cometidos enquanto militantes da ETA , e não importa se concordamos ou discordamos do modo de atuação antigo ou atual do partido, para que os mesmos sejam mudados para prisões dentro do território da comunidade basca. Porque desde sempre e neste mesmo momento, a maioria deles estão espalhados por prisões de toda a Espanha, e não recebem visitas dos seus familiares que não têm a facilidade de se deslocar. Então, "devolvam os presos da ETA ao país basco". Parece-me justo, obrigado. Vai uma foto para recordação?

 

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Paris, 9 de setembro 2017, 9h07 pm, desço a rua que me hão descrito como La Grand Avenue para chegar a Torre Eiffel.

- Senhor, conhece Paris? Não, é a minha primeira vez em Paris. A expressão de frustração de Elie não se rende à segunda questão, E não viu por aí uma igreja onde me possa dirigir? Não. O Senhor é Católico? Não. Cristão? Sou agnóstico, a religião é das piores coisas que o homem podia inventar... Elie deu-me uma palmada no ombro com relativa força. Não sei se por reprovação ao que ouvira ou se pretendia expulsar algo de mau em mim. Como se chama? Jerónimo. Muito prazer, chamo-me Elie, sou de Aleppo na Siria, Antropólogo e professor de filosofia. De onde vens? Portugal. Ah, Fátima! Elie Intaká abriu o segundo botão da camisa, retirou o seu amuleto de madeira, um crucifixo com a mensagem pregada na cruz em árabe. Eu sou devoto de Fátima. E eu vivo a 14 Km de Fátima. Então como podes dizer que a religião é a pior coisa que o homem já inventou? Porque já sofri a minha quota parte por ela, porque provavelmente o senhor está a sofrer muito por ela, pelas guerras dela. Elie comove-se tremendamente, os seus olhos vivos que até ali me queriam transmitir algo ficam baços. Se alguém lhe provasse das lágrimas que não consegue agora conter, imagino que seriam mais amargas do que as águas salgadas e agitadas que já terá atravessado até se cruzar ali comigo, na Grand Avenue. Mas como podes tu ignorar Deus? Por Deus eu cheguei aqui, estou aqui a falar contigo. Eu não ignoro Deus, apenas deixei de me questionar o que ele quer de mim e de me permitir a que a sua vontade condicionasse a minha vida, porque isso não é ser Deus, condicionar os seus súbditos de forma tão cruel ao ponto de se acreditar que lhe devemos sacrifícios, ou a vida... eu não posso venerar um deus como o do velho testamento, que cometeu tantas atrocidades, tantas mortes, tanto sofrimento nos humanos. Só porque sim, porque quero, posso e mando. Esse não pode ser o meu deus com D grande, Quem é então esse teu Deus, que dizes que não ignoras? Deus para para as mentes que chamo agnósticas não deve ser uma preocupação, se existe ou não existe, se em corpo ou forma, espírito ou visível, se tem planos para mim ou não, isso não deve ser da minha preocupação. Eu vejo Deus nesta árvore que aqui cresce ao nosso lado, sinto Deus no frio da brisa que nos regela agora a cara, na força das tempestades que assolam os Estados Unidos, nos olhos da minha filha quando se decepciona comigo. Deus é toda a natureza que me envolve, e ela trata de me equilibrar, sem me pedir nada em troca, e por isso lhe sou grato, à mãe Natureza, se quiseres, o meu Deus. Elie já não queria chorar, sorria, nos abraçamos, ele beijou a minha testa e se afastou. Queria deixá-lo partir, e penso que ele queria partir pelos hesitantes passos que deu mas avançou de novo para mim e pôs a mão direita no seu peito esquerdo, e com os olhos novamente cheios de amargura me voltou a indagar, Vou-te pedir um favor que nunca pensei vir a necessitar de pedir, o meu filho só me consegue fazer chegar dinheiro pela Western Union daqui por dois dias, e hoje tenho uma etapa fundamental , e que me aflige, porque todo o meu futuro depende de eu chegar a tempo, até amanhã a tarde a um amigo que me aguarda muito longe daqui, preciso de 52€ para o bilhete do comboio que me levará, e não tenho dinheiro para comer ou onde dormir há dois dias. Por isso procuro uma igreja e não a encontro, mas encontrei-te a ti, suplico-te, ajuda-me. Neste momento já chorava-mos os dois e com voz embargada lhe explico, Não tenho esse dinheiro comigo, queria muito te ajudar, mas o que tenho no bolso é para as refeições dos próximos dois dias e já é menos do que esperava, Quanto me podes dar? 20€. Obrigado, respondeu Elie estendendo a mão. Meti a mão ao bolso donde me saiu um monte de cartões, recibos e algumas notas dobradas com a de vinte a cobrilas. Ao desdobra-la para lha dar aparecem as restantes de 5€ num montinho generoso, Elie abana a mão e súplica por mais, os seus olhos me fazem esquecer tudo no momento e desdobro as restantes depositado-as na palma da sua mão, Vinte e cinco, trinta, trinta e cinco, quarenta, é tudo o que tenho Elie, e ficarei sem dinheiro para comer, mas tu ficarias pior sem ele, eu ca me arranjo. Mas Elie insiste, sem pronunciar uma só palavra, um só gemido, uma sequer expressão, abana a mão com firmeza e aquela mão me diz, Mais. No desespero da situação quando lhe ia a dizer e mostrar que, Elie, não tenho mais , de repente ao folhear os recibos e cartões que tinha ainda na mão aparecem mais algumas notas de cinco com que não contava e para minha estranha surpresa, mas não da dele. Quarenta e cinco, cinquenta, Quanto disseste que precisavas? Cinquenta e dois, depositei-lhe na mão estendida a última nota que tinha, Cinquenta e cinco. Eli deu dois passos atrás, uniu as duas mãos com o dinheiro ainda no meio delas elevo-as entre o queixo e o nariz em sinal de prece, e de cabeça inclinada para o céu soltou umas palavras incompreensiveis. Arrumou o dinheiro, e dirigiu-se a mim deu-me um abraço apertado enquanto me dizia, Deus te recompensará em dobro. Não te esqueças de mim, Elie intaká professor de filosofia, Aleppo. Não esquecerei, mas espera, quero uma recordação tua, uma foto, pode ser? E algo teu que possa trazer comigo. Como assim contigo? Um objeto, uma simples mensagem escrita num papel, o que queiras. Okay, assim terás.

Ficou parado a olhar para mim enquanto eu me afastava, soube disso porque depois de alguns passos desde que o deixará, me havia voltado procurando saber a direção que tomaria. Estava lá, no mesmo sítio com mão estática no ar despedindo-se, sorri e acenei um adeus, e prossegui.

Dobro a esquina com um turbilhão de emoções pois que não me entendia. O que fora aquilo, como é possível, que sorte será a deste homem? E lá estava ela, a grandiosidade de Eiffel. À volta se ouviam falar demasiadas línguas, uma verdadeira Torre de Babel, que reza a história um dia deus a impediria, na tamanha ousadia dos homens quererem fazer uma torre que toca-se os ceus, e confundido-lhes a língua aos trabalhadores, deus vetou-lhes o feito. Parei obliquamente na direção dela. Acendi o cigarro do momento, pois que se fumar mata, ao menos que cada cigarro seja uma vitória, uma contemplação, um celebrar da vida. Aquele era o da minha celebração a Elie. Durante dois minutos, permaneço de pescoço torcido para o ar, não porque dê jeito aos pulmões para expulsar o veneno, mas para apreciar a crueza da obra, ferro puro, minerio velho, escória da mãe terra, e que um deus da engenharia soube conjugar. E assombra-me agora ao pensamento, Como pode a humanidade ser capaz de coisas tão grandiosas na mesma medida em que pratica as mais asquerosas?

Apaguei a beata, na calçada de Paris.

Bonne chance, Elie. Não nos esqueceremos de ti.

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    Com Elie Intaká, sob a "Árvore de Deus"

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Burgos, Espanha 8h03AM, uma hora a menos em  Portugal.

E vão 6 horas de viagem mais 630 quilómetros na pele desde que apagou aquela ultima beata na calçada, terra dela mesmo, era a calçada de Porto de Mós.

Ele está definitivamente de volta às lides blogosfericas porque, o bom filho a casa torna, e quanto à boçalidade crassa e crescente das efemeras redes sociais, vós sabeis, o Mr. nunca gramou as efemeridades. Saudades...

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Escrito e dirigido por Cristina Boavida, protagonizado por Ana Padrão e Diogo Morgado, este último na sua primeira aparição que o traria para o estrelato, "Amo-te Teresa" é uma co-produção da SIC corria o ano de 2000, que confirma a  reviravolta do panorama televisivo que se vinha encetando desde há três anos, sem a mínima concorrência, por este canal.

E se à TVI e ao já Saudoso Nicolau Breyner com a sua produtora de conteudos NBP, se devem a subida da fasquia do extraórdinário melhoramento da produção de telenovelas em Portugal, que somado ao "grande pontapé" que revirou a seu favor a liderança das audiências nacionais, numa cartada dupla de telenovela com reality show - o primeiro que rebentou no pais e por este canal, com o roteiro exibido na telenovela "Todo o Tempo do Mundo" com Ruy de Carvalho e Eunice Muñoz, e que apartir dai foi sempre a somar; se à RTP, já mais recentemente, se deve o mérito das grandes produções de séries nacionais de alto gabarito, sejam de elas cariz Histórico mas não só;  já na SIC tempos houve (saudades...) em que era esta foi a senhora dos Tele-filmes e cujo expoente máximo do pequeno ecrã foi a a sua primeira longa metragem "Tentação" (1997) , produzida inicialmente para o canal de Carnaxide mas que acabaria a dar cartas no grande ecrã da sétima arte atingindo um recorde de vendas de bilheteira inigualável durante mais de uma década do cinema português. Neste aspecto foi preciso mais de uma década para "A Gaiola Dourada" (2013) do luso-francês Rubén Alves o destronar e que aqui pode recordar.

 

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A forma como o panorama do audiovisual português se alinha tem o seu quê de interessante.

Verifica-se uma trilogia de sectores que definem uma linha condutora e acaba no traulitar dos consumidores.

Essa trilogia divide-se entre o mundo da arte musical, passando pela produção generica audiovisual, que em Portugal se resume a telenovelas, acabando nas playlists das rádios.

E se as rádios nacionais, em conluio com as editoras, deram cartas outrora formatando o percurso de bons ou maus músicos e músicas, hoje são as telenovelas que marcam o passo.

Vide o caso da música aqui hoje. Ela é de 2009, integra a banda sonora da telenovela sensação do momento e  que surgiu no final deste verão, e acabou na berra das playlists das rádios portuguesas ao ponto de integrar, até, a da conservadora Antena 1 - Emissora Nacional Portuguesa.

Às radios mais atentas se quiserem, sobretudo as locais que por vezem têm mais problemas de identidade ou dificuldade de uma boa playlist, fica a dica: basta anteciparem-se.

A excessão dos temas criados para os genéricos das telenovelas (o videoclip de abertura) enquanto ela esta no ar, porque se for depois de essa novela sair de cena já terá maior potencial de sucesso (fenomeno nostalgia), para a seleção de musicas novas para a playlist e com dois dedos de testa, percebe-se que o segredo reside no apostar em músicas com ritmos que peguem no ouvido de estaca. É o que as telenovelas fazem, e as radios nacionais depois vão atras das proprias seleção das novelas que estão na berra.

Esta música no inicio do post já tocava numa rádio local há mais de dois anos, e o critério de escolha foi esse, associado ao imaginário de quem a escolheu (eu próprio), das duas gajas que se beijam no final do vídeo, invertendo toda uma letra e mentalidades, que a Antena 1 nem sonha...

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 Aqui vão umas dicas terapeuticas caseiras tipo "mezinhas d'avó" que a gente tanto gosta na aldeia, porque:

1. Se chegas-te a Lisboa tens de ter noção de que 'aqui é Portugal e o resto é paisagem'.

2. Provinciano: nunca esqueças as tuas origens pois nas mesmas descobrirás segredos terapêuticos que nem a tua gaja sabia que tinhas dentro dessa braguilha. 

3. Se ouves buzinar no transito -sim esse ruído mesmo que te tira do sério a cada 3 minutos- manda-os para um sítio qualquer. Provinciano que se preze nem tem papas na língua, nem se exprime com eufumismos (i.e. adjetivo masculino plural; 'rodriguinhos' em lx)  pois que essas são daquelas palavras de sete e quinhentos.

4. A partir da terceira buzinadela que ouvires, e que mesmo não tendo certeza, assumes como tendo sido para ti, já podes manda-los pr'ó caralho, mas com estilo: acrescenta "morcão" se és do Porto, "vacão" se és de Leiria, ou outro qualquer'ão da tua provincia, que é tão rica nestas terapias.

5. Buzinas, buzinas, e mais buzinas.... sejam 4 da tarde ou 4 da manhã. Os alfacinhas são - tirando os do Belenenses assim mais armados ao pingarelho porque vivem ao lado do Palácio de São Bento - conas todos os dias. Comodistas por natureza. Assim da-lhes portanto o desconto terapêutico de quem tem um QI abaixo dos 69. É que nunca leram as leis de trânsito sobre  a obrigação de substituir as buzinas por sinais de luzes apenas que anoiteça, ou as civis da República Portuguesa no que estabelece sobre horário limite de ruído público. 

6. Em Lisboa conduz sempre de vidro aberto. Faça chuva ou faça sol. És da província, canudo! E vais precisar dele. Para fumar aquele cigarro terapêutico que te restabelece os índices de raciocínio, confiança e calma santa, tantas vezes necessárias para pores a mão de fora e lançares aquele pirete a que só os provincianos se dão ao trabalho. Aquele torcer de dedos bem desenhado. Porque a arte de um pirete aprende-se na provincia. É de coragem e feito com os colhões no sítio, tipo: os  dedos indicador e anelar simetricamente enrolados paralelamente ao "pai de todos" bem centrado e esticado. 

7. quando regressares à província, esquece lá essa moda urbana de que as rotundas são o prolongamento por natureza das várias vias que se lhe confluem, blá,blá... ide más é ler o que do uso da buzina a lei diz. Portanto, deixa-te de merdas e de entrar nas rotundas da aldeia depois, sempre a acelerar. Mesmo sem sinais de stop, as rotundas na província tem um código de conduta próprio para se respeitar.

8. Os piretes são uma arte, já disse. Não os esbanjes. Tinhas nada que ensaiar assim à sucapa - umas linhas aqui acima, que eu bem ví - se és ou não artista de enrolar os dedos simétricamente. Guarda esses ensaios para quando no trânsito, e a ver vamos se com estas terapias não te comportas lindamente no meio do barulho.

 

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música: Satisfaction - Rolling Stones

 

Sobre o assunto existem estudos científicos originados pelo pai da psicanálise Sigmund Freud. É evidente que uma criança educada por dois homens ou duas mulheres enquanto pais, alterará o seu percurso humano. Chama-lhe a medicina de 'O Complexo de Édipo', e podes ler sobre ele aqui .

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 Édipo, segundo a mitologia grega, mata o pai por desejar sexualmente para ele a mãe

 

A co-adoção por casais do mesmo sexo foi a primeira lei aprovada pelo novo governo de estrema esquerda ainda antes mesmo de ser assumida a sua posse. 

Aprovada que está, e lamentavél que quem foi, ou é contra a lei, nunca tenha argumentos válidos que defendam a sua ideia para além dos seus próprios autos de fé e valores cristãos, de resto, atitude em nada distinta da argumentação utilizada pela esquerda parlamentar na defesa da imposição de seus fanáticos dogmas politicos. Exagerado será não ver que estamos perante a imposição de uma anarquia muito para além daquilo que são valores individuais, pois que interfere com a saúde clínica de um ser em crescimento em Portugal, logo, com o futuro da sua sociedade.

É a lei de Murphy (se pode correr mal, vái correr mal). Quando se teme que o caldinho de governo que temos na Assembleia da República se possa preparar para transformar o velho pais de brandos costumes no, de todos, brevemente o mais liberal da Europa e, porque não, do mundo. O que não sendo uma ideia propriamente desagradável, também não sei se agrada de todo.

Vamos-nos deitar a advinhar? Então vá lá, advinha-se portanto o que o próximo decreto da esquerdalha - [i.e.] esquerda + canalha - garotos na gíria popular (os do BE), e de quem os come ao pequeno almoço (PCP) estará a preparar como uma das grandes revoluções e prioridades do país: a despenalização das drogas leves? In extremis, direito dos pais ao infantícídio, como na América?

Eles andaram foi a estagiar e fazer Erasmus demais no país das papoilas holandesas.Só pode.

Mas alguém os avisou que aquilo não era para fumar?

 O Complexo de Édipo musicado pelos Xutos e Pontapés

--

Paulo Jerónimo

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música: Mãe - Xutos e Pontapés

 

Pelo sim pelo não, porque já me arrempendi de não o ter feito na altura de se terem averbado no dragão outros 5-0 noutro clássico, ou porque nas redes sociais (culpadas da suspensão de assuntos neste blog) os temas são tão efémeros e voláteis, deposito neste obituário o pensamento de ontem pelo pê de T3LL0. E desafio o Nuno PortoMaravilha a fazer o mesmo.

 

 

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É pá, isto não se faz!
Faltam ainda 10 minutos para acabar o jogo mas tenho de solicitar desde já o livro de reclamações aos senhores do Dragão.
Então a malta compra bilhete para assistir àquilo que se espera ser um grande clássico de futebol e apresentam-nos em palco um Bailinho da Madeira?!

Não vale!
Ao menos digam ao Jackson onde estamos, que em portugal tal dança não tem passo doble... ao quaresma que se deixe de invenções porque esta não é uma coreografia cigana, é da terra do amigo Ronaldo portanto não vale trocar o passo ao adversário, não vale... e ao Lopetegui que não estamos no País Basco nem na tropa, pois que o Bruno de Carvalho não é propriamente dirigente da ETA nem era preciso acertar-lhe o passo... é que sinceramente... assim não há condições!

--

Paulo Jerónimo

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Os temas bíblicos sempre deram panos para mangas... e polémicas qb.

Escritores, poetas, coreógrafos, todos gostam de explora-los. A sétima arte também.
Sobre o primeiro livro do cânone bíblico podem-se ter várias opiniões e dissertar várias conclusões, mas tenho para mim uma que sempre achei desconcertante: é que revela-nos a crueza da Criação à Destruição! Com este filme «Noé» aguarda-se portanto um "Dilúvio"... 

"Será isto o fim de tudo?" - Questiona a Paramount Pictures no seu facebook oficial.

 

 --

Paulo Jerónimo

 

 

Estreia nos cinemas a 10 de abril

Realizador: Darren Aronofsky

com

Russell Crowe

Jennifer Connelly

Emma Watson

Anthony Hopkins

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"Quando a esmola é grande o pobre desconfia" e tanta propaganda que se viu no pré-lançamento do filme de Rúben Alves A Gaiola Dourada - um retrato dos portugueses, resultante da epopeia de sua emigração nas últimas décadas - confesso que me levou a sentar na sala com a esperança e espetativa de que ia enganado.

 

Tentando apaziguar a discussão entre meus dois neurónios frontais contra um ocipital, degladiavam-se: "lá tás tu Paulo... vai-se a ver e na volta o filme até que merece mesmo uma Palma de Ouro, à grande e à francesa (link). Espera..."

1.ª Surpresa: a sala começava a mostrar-se demasiadamente bem composta.

Mais de metade dos lugares ocupados, tendo em conta que estamos ao meio da tarde de um dia de semana, no pais que, contam  as estatísticas, tem a mais baixa taxa de cultura cinéfila (ou de leitura, já agora...) bom, isto por si só já é obra.

 

"Vês o efeito da propaganda? Picardava o neurónio ocipital.

 Achas que sim, oh cromo? Vinte e seis dias depois da estreia nacional? Ripostava um dos do lóbulo frontal.  Em parte, talvez... mas no todo, duvido - atiçava o segundo dos frontais, prosseguindo: Ó "neurónio ressabiado", pá. Aqueles anos de neve na infância passada pelos Pirenéus Bascos afetaram-te mesmo do clima, com certeza..." E a Sala continuava enchendo.

 

É relevante e sintomático o percurso cultural dos Portugueses.

Eles aprenderam a ver televisão, antes mesmo de terem tido oportunidade de aprenderem a ler. Sim, literalmente. E esse fenómeno, de certo modo prolongado pelos próximos 30 anos é determinante para o nível e exigência cultural que demonstramos hoje. Com o aparecimento das primeiras emissões da RTP nos anos 50 num pais maioritariamente analfabeto como o era o nosso, o povo entra em transe com emissões de futebol, festivais da canção ou concursos. Entre os prazeres de assistir, ver e ouvir as emoções de "Gabriela" ao vivo, in loco na pequena "caixa mágica" ou deleitar-se na leitura da mesma, escrita pela pena de Jorge Amado, a escolha seria óbvia.

E se hábitos de leitura  nunca pegaram, os da sétima arte então, nunca vingaram.  Os Portugueses continuam a ser os cidadãos da Europa

que menos cinema frequentam, onde mais salas fecham ou as cadeiras livres abundam.

 

Mas cultura? O que é isso da cultura?

Depois de alguns anos de investimento nesse sentido, o atual governo português retrocede dizendo-nos que, por culpa da crise... há que exterminar, precisamente este Ministério, o da Cultura. Foi a primeira das Reformas de Estado a pôr em prática, aquando da remodelação de Ministérios. A população, a que "sabe ler" inclusive nas entrelinhas, retira daqui outras leituras: demonstram-nos o modo como os dirigentes do país, eles próprios uns incultos, encaram o assunto. Numa atitude "comezinha", "portuguesinha", revivem-se memórias antigas: "cultura é no campo, no lavradio. A cultura do ancinho, da enchada, do terreno que germina. Recupere-se a agricultura, a verdadeira cultura." Como em tudo, há que definir prioridades.

 

Alors, e o filme? O filme... bon, c'est ça: "La Cage Dorée" -  A Gaiola Dourada escreve-se, fala-se e protagoniza-se na mais francesa e incontornável de todas as cidades - aquela que, dentre todas as outras, mais portugueses acolheu em todo o mundo: Paris.

Na película estereotipa-se uma família emigrante portuguesa. Mas a estória extravasa o que se possa considerar ou etiquetar como sendo exclusivamente a imagem ou vivências experimentadas pelos nossos emigrantes franceses. Porque as emoções que ali se vivem, assistindo-se à película, universalizam-se. Serão as mesmas e comuns a quaisqueres outras experiências de vidas em qualquer outro país onde quer que exista um portuga estrangeiro

 

Cada um experienciará o filme à sua maneira mas eis uma das cenas que se me mostrou particularmente das mais marcantes:

Maria e Zé (Rita Blanco e Joaquim de Almeida) na arrecadação da casa vão selecionando alguns haveres, presume-se que para levarem de regresso para a terra natal. Como plano de fundo na imagem temos um grande placard de ferramentas, à imagem do personagem, o Zé, um humilde e prestável pedreiro, biscateiro habilidoso, de quem os vizinhos franceses tanto apreciam e recorrem (interesseiramente).

Enquanto Zé enrola o fio de um berbequim, Maria  puxa de um monte de roupas antigas um par de calças que o filho já há muito não veste desdobrando-o e apelando à memória de Zé: "Lembras-te como o Pedro detestava estas calcas?".

Um mero exemplo de uma entre várias cenas que resultará num potencial reboliço às entranhas de qualquer espectador que tenha vivido noutra comunidade ou cultura fora da sua terra natal. À qual lhe baterá um potente flashback rodeado de emoções à flor-da-pele, vestindo ele próprio aquelas mesmas calças e revendo-se no lugar do filho de emigrante, nas discussões matinais sobre a roupa para vestir e dentre as quais, eram por nós (crianças) de imediato descartadas todas aquelas peças de indumentária que evidenciassem a cultura portuguesa (ou imagem de coitadinho) num pais onde se é forasteiro. Basta o que basta, não se esperá-se que fosse o catraio, o primeiro naquele dia a acordar o estigma sofrido em qualquer recreio escolar estrangeiro pelo "típico filho do pedreiro e mulher a dias portugueses" que os nativos daquela terra fazem questão de nos recordar copiosamente, quotidianamente, direta ou indiretamente.

 

E quando um filme nos arranca consecutivas gargalhadas com a mesma facilidade e naturalidade que a seguir nos leva às lágrimas, então arriscaria que não há dúvida: só podemos estar perante um grande filme, digno do mais prestigiado troféu de cinema francês e europeu, mas para o qual é preciso ser-se Português para o entender em toda a sua plenitude.

BravôPalma de Ouro à Gaiola Dourada!

E desengane-se: mais propaganda sim. É disso que precisam, afinal, os filmes portugueses. Para que os pobres de espírito deste pais deixem de encarar ofertas culturais como esmolas.


 

Paulo C. Jerónimo

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